terça-feira, 5 de março de 2013


 

Red Bull quebra recordes (e, talvez, as barreiras do Marketing)

Quinta-feira, 18 de Outubro, 2012

 
14 de Outubro não foi apenas o dia em que se assinalaram os 65 anos do primeiro voo supersónico de avião. Foi, também, o dia em que o austríaco Felix Baumgartner cumpriu com sucesso a Missão Red Bull Stratos, uma “aventura” nos limites do espaço promovida pela marca de bebidas energéticas. Depois de uma viagem num balão de hélio gigante, que atingiu os 39.044 metros de altitude, Baumgartner lançou-se num voo estratosférico, a 1.342,8 Km/hora, que bateu três recordes, que estavam por bater há 52 anos: o de voo mais alto de balão tripulado (39.044 metros), o de salto mais alto de paraquedas, e o de primeira pessoa a romper a barreira do som em queda livre (a 1.342 km/hora). Os dados estão agora sujeitos a uma confirmação oficial.

Se os três recordes não forem suficientes, há um outro marco que a Red Bull parece ter atingido. Como noticia o Huffington Post, a marca de bebidas energéticas pode estar a alterar o futuro do Marketing, já que a campanha Red Bull Stratos deverá ser a mais bem sucedida de todos os tempos, reforça a mesma publicação.

Foram mais de oito milhões as pessoas, de todo o mundo, que assistiram à transmissão em directo, através do YouTube, do feito de Felix Baumgartner, a primeira pessoa a quebrar a barreira do som.

Entretanto, a Red Bull quebrou, também ela, as barreiras tradicionais do Marketing, patrocínio e social media, passando de uma insígnia de bebidas energéticas para um gerador de buzz de escala internacional, “que faz com que as conquistas de outros inovadores do Marketing, como a Apple, pareçam pequenas por comparação”, adianta o Huffington Post.

Além da “espectacularidade” da proeza, o passo dado pela Red Bull pode traduzir-se em estimativas de vendas de várias dezenas de milhares de dólares, de acordo com Ben Sturner, fundador e CEO da Leverage Agency, uma empresa de Marketing de Media, Entretenimento e Desporto, sediada em Nova Iorque.

De acordo com um porta-voz da Red Bull, a empresa não revela informações financeiras ou de marketing. Ainda assim, Ben Sturner garantiu àquela publicação que «não ficaria surpreendido se eles atingissem um mês recorde, em termos de vendas. Foi a notícia principal em noticiários, não apenas de desporto, e eles não poderiam transmitir a informação sem mencionar a Red Bull. E com o buzz posterior e o envolvimento online, alguns dos principais utilizadores do Twitter, com milhões de seguidores, a espalhar a palavra sobre a Red Bul… Isso [é um valor que] não pode ser quantificado», continuou.

A exposição massiva, adiantou Sturner, pode traduzir-se mesmo numa mudança no comportamento do consumidor, que poderá deixar de comprar marcas como a Monster para passar a adquirir Red Bull. No final, a acção acabará por cativar novos consumidores, que trarão à marca mais dinheiro. Em 2011 a empresa austríaca vendeu mais de 4,6 mil milhões de latas de Red Bull, em todo o mundo.

Como noticiou a ABC News, além do YouTube, o salto de Felix Baumgartner foi transmitido por mais de 40 estações televisivas e 130 plataformas digitais. A fotografia pós-salto de Baumgartner, publicada no Facebook da Red Bull, reuniu mais de 216 mil likes, 10 mil comentários e mais de 29 mil partilhas, em 40 minutos. Além disso, metade dos trending topics do Twitter estavam relacionados com a Red Bull Stratos.

O fundador e CEO da Leverage Agency explicou que a força deste evento de marketing reside na sinergia entre uma acção radical e a mensagem já existente da empresa. O salto, afirmou, «bate mesmo com a mensagem da marca, de que o Red Bull te dá asas».

Também ajudou que o posicionamento da marca estivesse omnipresente. «Não era possível tirar uma fotografia de Felix [Baumgartner] sem o logótipo da Red Bull e não se poderia falar dele sem referir o Red Bull Stratos», reforçou.

Ao criar um evento com esta singularidade, a Red Bull mostrou saber aproveitar o potencial para ultrapassar padrões de ouro do Marketing tradicional, dominado por companhias de grandes dimensões. «Quando uma marca está na Super Bowl, está entre cerca de 70 anúncios. Quando marca presença na pista da Nascar, está entre 44 equipas. Isto [Red Bull Stratos] é sobre ter mão em algo que vai deixar uma marca», rematou Ben Sturner.

O Red Bull Stratos, no qual Felix Baumgartner trabalhou desde 2005, com a Red Bull como patrocinadora, não foi a primeira tentativa da marca de “forçar” os limites do Marketing. A insígnia é conhecida pela sua estratégia geradora de buzz entre um target jovem, que contempla a associação a eventos desportivos radicais como a Red Bull Air Race.

Mas ao levar a bom porto a tentativa de redifinir o conceito de “radical”, o Red Bull Stratos dá aos marketeers de pequenos negócios «algo em que pensar», defende Sturner. «Como é que se ultrapassa o “lixo” e se faz algo único? Veja a sua marca como uma história. Torne-se grande, corra riscos. A sua marca pode estar na primeira página de publicações globais se fizer algo fora do comum.» «Nos dias de hoje, o importante é o envolvimento e a amplificação da mensagem, e a Red Bull atingiu ambos os objectivos», terminou.

Inês Melo nº 30014

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